“FESTA”, de Ugo Giorgetti Na minha coluna de estréia (“Depois de Horas”, Scorsese) fiz menção ao filme “Festa” como uma boa surpresa a ser descoberta, mas sinceramente não achei que fosse escrever sobre ele. Pois bem, ao mencioná-lo, imediatamente recebi dos amigos uma tonelada de emails acalorados: uns defendendo, outros detonando o filme. “Os diálogos mais engraçados que já vi”, dizia um. “Saí no meio”, confessou-me outro. A questão tornou-se tão interessante que me vi obrigado a escrever sobre ele. Vamos lá: com um minguado orçamento de $ 300 mil, “Festa” conta a história de dois jogadores de sinuca (Adriano Stuart e Antônio Abujamra) e um músico (Jorge Mautner), contratados para animar a festa em uma mansão paulistana. Enquanto não sobem, resta a eles os canapés que passam por lá, a conversa descompromissada com os empregados e a indiferença dos convidados que eventualmente aparecem. Em determinado momento Antônio Abujamra conclui ao ver um sujeito subindo as escadas rumo à festa: “ele é alguém”. O filme é isso: a espera dos caras e a triste impossibilidade de ser alguém. (CONTINUA)

 


 
 
 
 

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